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O Pomo de Ouro

Páris devia dar o seu palpite, e acabar com a contenda celestial: “Seria Hera, Atena ou Afrodite, qual teria uma beleza sem igual?” Cada deusa fez a Páris uma oferta: Hera lhe daria império e glória; Atena, a mais alta sabedoria; Afrodite, o amor da mais bela mortal. Aos encantos do poder, Páris resistiu, como também aos do conhecimento, mas o amor era um convite especial. Afrodite ganhou o pomo dourado. Por Helena, Páris foi muito amado. Porém, eu não contarei aqui o final.

Saindo de si mesmo para se reencontrar

Somos seres incompletos, imperfeitos e insatisfeitos. Vivemos, portanto, sempre à procura de algo que nos torne completos, perfeitos e realizados. Mas onde poderemos recuperar aquilo que nos falta? Estará esse pedaço perdido escondido no mais íntimo do nosso próprio ser ou guardado em outro alguém que ansiamos muito por encontrar?

Bem, nem tudo o que procuramos no outro está dentro de nós, e nem tudo o que nos falta pode ser preenchido por outra pessoa. Não acho, no entanto, errado buscar no outro algo que nos falte; errado é nos submetermos a situações ruins nessa busca, fingindo que encontramos aquilo que tememos nunca encontrar, ou mesmo nos enganando com a afirmação de que não nos falta coisa alguma. Se há carência e solidão, provavelmente há algo faltando, e esse algo pode ou não ser encontrado; isso depende muito das circunstâncias, do empenho e das características de cada um.

Devemos aprender a lidar com os vazios que existem dentro de cada um de nós. Cada indivíduo traz consigo os seus defeitos, vícios e carências; por isso, devemos crescer juntos, descobrindo aquilo que nem suspeitávamos que poderia haver de bom no outro, criando um caminho em comum de desenvolvimento e superação. Eu sei que conviver não é nada fácil, porém uma coisa é certa: sozinhos naufragaremos irremediavelmente.

Não há respostas prontas, não existe nenhum caminho plenamente seguro. Na vida, sim, tateamos no escuro muitas vezes, mas quase sempre encontramos mãos solidárias dispostas a nos ajudar. O importante é não nos fecharmos, negando a nós mesmos todo e qualquer auxílio. Enfim, ninguém é tão autossuficiente que não precise de alguém, e ninguém é tão necessitado que não possa ajudar outra pessoa — não devemos nunca nos esquecer disso.










Nota do autor: Este texto pertence a um outro momento. Hoje, eu o leio com mais reservas, mas ainda reconheço nele uma tentativa honesta de compreender a falta, o encontro e o convívio.

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