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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

melancholia

Vagando entre as criaturas da noite,
com um coração petrificado,
vejo lúgubres figuras,
sonhos terríficos,
o passar dilacerante do tempo.

Tento – sem nunca conseguir – acabar com tudo,
com a viscosa esperança que me persegue,
com a consciência de que não há caminho de volta.
Até agora, nenhum sintoma aparente, febre ou loucura;
a normalidade se mostra em toda a sua triste magnificência.

À sombra de um cipreste,
longe de qualquer presença humana,
contemplo o vasto e indiferente céu outonal.



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