Teimosia
Resisti por resistir, por vontade de viver um pouco mais e apenas isso. Não houve epifania, entrega, súplica ou qualquer tipo de consolo. Silêncio e medo, como companheiras, e a teimosia, claudicante, única.
Vagando entre as criaturas da noite,
com um coração petrificado,
vejo lúgubres figuras,
sonhos terríficos,
o passar dilacerante do tempo.
Tento – sem nunca conseguir – acabar com tudo,
com a viscosa esperança que me persegue,
com a consciência de que não há caminho de volta.
Até agora, nenhum sintoma aparente, febre ou loucura;
a normalidade se mostra em toda a sua triste magnificência.
À sombra de um cipreste,
longe de qualquer presença humana,
contemplo o vasto e indiferente céu outonal.
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