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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Desencanto

Caminho para lugar nenhum

Um olhar vazio distante

Você nunca está lá

Os salões cheios de passageira esperança

Festiva loucura que não termina

A angústia como uma lâmina afiada

Quinquilharias que junto pouco a pouco

Triste, pálido (e contínuo) dia de inverno

O grito não sai

O odor permanece

Só agora começo a entender a sua doce insensibilidade.


Barcos de pesca no mar (1888), Vincent van Gogh


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