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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Na insana bruma leve...

Nevoeiro nas mentes:
homens perambulam, perdidos,
exclamando certezas morais,
iluminações políticas;
há algo de muito errado no paraíso outrora tropical.
Eclipse das mentes, endurecimento dos corações,
tudo envolto em trevas, ignorância e medo.
Paira no ar uma vontade de exterminar o diferente,
de acabar com qualquer dissenso,
de ser mais um na multidão.
Cheiro pútrido de glórias passadas,
um misto de estupidez, ressentimento e rancor.

Simplesmente, não sonhe nem mesmo um pequeno sonho comigo.

Há um quê de fingimento em toda alegria;
há muita sinceridade em cada pequena dor.




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