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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Incivilização

Nas asas da loucura,
seguindo na contramão,
eu estou à beira do meu leito,
quase caindo em mim,
quase achando alguma solução.

Todo dia, as mesmas notícias:
necrose, ignorância e incivilização.

Tomo mais um trago desse mal ardente;
em devaneio, penso no próximo carnaval.

Não quero mais isso
nem quero mais aquilo.

Anacronicamente, e de uma vitrola improvável,
ouço a voz renitente de Sérgio Sampaio:
“silêncio na tarde dos homens, silêncio”




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