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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

acasOcaso

Perdi o meu ponto de ancoragem...
A concretude ilusória dos meus devaneios se esfacela ao contato do real.
9,8 m/s²
Queda livre
Impacto em T-minus 10, 9, 9.9, 9.8, 9.7...
Nunca chegarei ao fim!?


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