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O Pomo de Ouro

Páris devia dar o seu palpite, e acabar com a contenda celestial: “Seria Hera, Atena ou Afrodite, qual teria uma beleza sem igual?” Cada deusa fez a Páris uma oferta: Hera lhe daria império e glória; Atena, a mais alta sabedoria; Afrodite, o amor da mais bela mortal. Aos encantos do poder, Páris resistiu, como também aos do conhecimento, mas o amor era um convite especial. Afrodite ganhou o pomo dourado. Por Helena, Páris foi muito amado. Porém, eu não contarei aqui o final.

Conservar, ainda

Conservar talvez seja uma das formas mais discretas de resistência.
O tempo, impessoal e insistente, não apenas passa: ele corrói. Apaga memórias, esfria afetos, afrouxa laços que um dia pareceram inquebrantáveis. Não há engano possível quanto ao desfecho: ao fim, ele sempre vence.

Ainda assim, não é por isso que tudo deva ser abandonado antes da hora. Há uma dignidade silenciosa em sustentar o que insiste em se perder. Em resistir à frouxidão que, pouco a pouco, se infiltra em todas as coisas. Não por ilusão de permanência, mas por fidelidade ao que um dia teve sentido.

O ser humano reage a estímulos, é verdade. E quando eles cessam, quase tudo se dissolve com rapidez inquietante. Permanecer exige mais do que intenção: exige atenção. Exige sair de si, conter o próprio egoísmo e, mesmo sem garantias, reiterar gestos.

Talvez conservar não seja impedir o fim, mas adiar o esquecimento o suficiente para que algo ou alguém ainda valha a pena.



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