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Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do efêmero florescer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.
Absurdo
Seres insignificantes, sem nenhum propósito, perdidos na imensidão indiferente do cosmos, buscam algum sentido, mas nunca o encontram. Muitos, desesperados, tentam inventar um; acham que uma ilusão institucionalizada diminuirá, de alguma forma, a angústia que sentem. Outros, mais sensatos, veem nisso uma oportunidade; se não existe sentido algum, podem então criar um para si mesmos, fazendo de suas vidas aquilo que quiserem — uma obra-prima ou uma garatuja. E há, em um número muito menor, aqueles que abraçam o absurdo da existência ao compreenderem a inutilidade de toda e qualquer tentativa de procurar atribuir sentido ao que quer que seja.
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