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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Solilóquios modernos

Muitos “amam” a diversidade, mas não conseguem conviver com o diferente no seu dia a dia. É crescente, infelizmente, o número de pessoas que desistem do diálogo, que preferem ficar com o monólogo da sua própria verdade pessoal projetada naquilo que chamam de seus interlocutores. Se os outros devem ser apenas um reflexo daquilo que se é ou pensa, então todo debate verdadeiro já se encontra natimorto, pois o que sobrevive daí é apenas uma cópia barata, mera expressão de um autoprazer intelectual.


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