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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Bem-aventuranças de um desaventurado

Bem-aventurados os que não amam ardentemente, porque viverão uma vida sem grandes desilusões.
Bem-aventurados aqueles que nunca se apaixonam, porque não enfrentarão as tormentas e convulsões de um estado febril.
Bem-aventurados os que nunca sofrem por amor, não porque serão recompensados, mas porque viverão bem melhor assim.


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