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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Ela

Perdido no caminho que me leva à loucura,
eis que a encontro, candente e bela;
não é um poço de ternura,
mas sabe resolver toda querela.

Sua ausência é sempre logo percebida,
pois altera as cores por onde passa.
Tem um quê de “trem desgovernado”;
só que nunca descarrila, tudo enlaça!

Regressa sem prévio aviso;
parte quando quer.
Caminha nos astros, distraída...
Ah, quem pode com tal mulher!


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