Serenidade

Entre as flores que vicejam em ledo prado,

atrás de muros que nada protegem,

lá, longe de tudo, em meio à proteção que eu mesmo inventara,

olho atentamente para tudo e não sinto nada.

Começo então a correr e a todo custo tento fugir de mim mesmo.

Depois de algum tempo, encontro uma cerca, casas, uma realidade.

Pulo a cerca, respiro fundo, observo atentamente as casas;

rachaduras, sofrimentos, risos, vidas entrelaçadas.

Uma forte chuva começa a cair e, cansado,

deito-me na relva molhada.

Depois de algum tempo, tudo volta ao normal.

No céu, entre nuvens que se dispersam,

há um brilho, um calor, uma dádiva.



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