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Pedestal

Forjada no olhar, do querer impaciente: estátua de mármore, fria, dura, gente. Moldada pra durar, pra caber no sonho, no desejo de alguém. Sem nome, sem lugar, apenas serva das vontades. Um riacho sereno, flores ao redor de tanta incompreensão, do férreo escrutínio alheio. E o tempo, imperioso, faz da matéria inerte corpo consciente, e da água contida, vida sem corrente. Não há mais represas ou moldes, altares, pedestais ou roteiros. Só o mover-se, contínuo, livre, sem medo.

Serenidade

Entre as flores que vicejam em ledo prado,

atrás de muros que nada protegem,

lá, longe de tudo, em meio à proteção que eu mesmo inventara,

olho atentamente para tudo e não sinto nada.

Começo então a correr e a todo custo tento fugir de mim mesmo.

Depois de algum tempo, encontro uma cerca, casas, uma realidade.

Pulo a cerca, respiro fundo, observo atentamente as casas;

rachaduras, sofrimentos, risos, vidas entrelaçadas.

Uma forte chuva começa a cair e, cansado,

deito-me na relva molhada.

Depois de algum tempo, tudo volta ao normal.

No céu, entre nuvens que se dispersam,

há um brilho, um calor, uma dádiva.



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