Teimosia
Resisti por resistir, por vontade de viver um pouco mais e apenas isso. Não houve epifania, entrega, súplica ou qualquer tipo de consolo. Silêncio e medo, como companheiras, e a teimosia, claudicante, única.
Um acorde dissonante rasga as trevas do coração,
uma luz inesperada revela formas desconhecidas,
e o colapso do que parecia ser um mundo seguro e confortável
revela-se o primeiro indício de uma primavera interior.
Estamos diante do esfacelamento do real.
Algo se quebrou,
não há mais como voltar atrás.
Angústia, caos, isolamento,
um grito de desespero;
amor, ternura, solicitude,
um ato de verdadeira transfiguração.
Alquimicamente, sem que percebamos,
o ciclo da vida se renova;
não somos mais os mesmos,
a vida não é mais a mesma,
mas temos em mãos outra paleta de cores.
(O real nunca é o real-real, mas sim o real filtrado, adornado, transubstanciado.)
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