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Mostrando postagens de agosto, 2020

Vidas inexatas

O cadafalso à espreita a busca por um sentido viver é, antes de tudo, impreciso Uma ponte sobre o rio das lágrimas um voo cego e cheio de vicissitudes o luzir da esperança Torrentes de desejos versus claustro da retidão perpétua labuta para afastar a entropia o vil desordenamento o caos lento e inevitável.

Nefelibatas & Selenitas

Mesmo nos ares, distraído, sonhando acordado, eu fito continuamente o abismo. Dentro da casa do claustrofóbico saber, um quê de irremediável agonia. Ah, uma janela, ei-la: uma abertura para o infinito não-ser. Debruço-me sobre ela, ébrio, e pressinto sensações multicolores, um esmorecimento da lógica e da razão. Nuvens, luas de Saturno, véus e cristais, ledos crisântemos e pássaros de fogo, cataratas, valsas, principados, amores, fogos-fátuos e fiordes...

Motivo

O morrer como um viver sem paixão, um estar no mundo como que em descompasso, ferido, cambaleante, amargurado. As mãos quebradas, o coração solitário; o cansaço das relações fugidias e truncadas. Ontem mesmo você estava aqui, e conversávamos sobre a vida; hoje o silêncio grita exasperado. Gira, gira mundo em alta velocidade, derramando em nós uma quantidade infinita de bits e bytes; informações, no mais das vezes, desnecessárias. Passagem rápida dos dias, horas, amigos e amores; sucessão sucessiva de um vazio acachapante.

Resiliência

Nem sou alegre, nem sou triste, nem sou poeta, nem ouso sê-lo. Vivo no limbo da desesperança, em meio a vulcões extintos, angústia, medo e lama. Acabo sempre vencido pelo peso do cansaço e pela força das circunstâncias. Estou à margem de tudo; nunca pertenci a uma multidão, nunca gostei de ideias fatais. – Nada disso muda o que quer que seja! E persisto, com o coração nas mãos, a faca entre os dentes, escalando o monte sem cume da vida. 

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