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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Nefelibatas & Selenitas

Mesmo nos ares, distraído, sonhando acordado,
eu fito continuamente o abismo.

Dentro da casa do claustrofóbico saber,
um quê de irremediável agonia.

Ah, uma janela, ei-la:
uma abertura para o infinito não-ser.

Debruço-me sobre ela, ébrio,
e pressinto sensações multicolores,
um esmorecimento da lógica e da razão.

Nuvens, luas de Saturno, véus e cristais,
ledos crisântemos e pássaros de fogo,
cataratas, valsas, principados,
amores, fogos-fátuos e fiordes…



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