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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Inflexão

Nos rios da Babilônia,

às margens do Sena,

no Rubicão, Ipiranga,

ou mesmo no córrego aqui da vila,

um sentimento de efêmera eternidade,

de um não retorno: ponto de inflexão.

Eis o fim das grandes ideias,

das grades que ocultam flores,

de um tempo que se apaga pouco a pouco.

A revolução acabou,

o sonho definhou,

(todos já foram guilhotinados)

e, no jogo do poder, já se entrevê a ascensão de um novo déspota.

Por todos os lados, até onde a vista alcança,

milhares e milhares de estátuas de sal.




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