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Ígnea

Ígnea, era o seu nome. Nunca soube o porquê disso: não havia nela excesso, nem voz elevada, nem gestos. Cresceu no silêncio. Falava pouco, não por desdém, mas por cuidado. Diziam que era fria, quando, na verdade, era apenas alguém que se resguardava. Por fora, tudo era contido, ordenado, quase imóvel. Seu nome lhe parecia um erro, um equívoco sem graça, desses que ninguém mais corrige porque já passou tempo demais. Mas havia noites, raras, quase imperceptíveis, em que algo nela se movia. Um pensamento insistente, uma lembrança fugidia, um desejo sem forma. Nada que virasse incêndio. Apenas um brilho curto, íntimo, suficiente para lembrar que até a matéria mais quieta guarda, em segredo, o seu fogo.

Vislumbre

Só tive um vislumbre de você,
quando parei de pensar apenas em mim mesmo,
quando deixei que a vida me levasse por caminhos que antes nunca trilharia.

Sinto agora em meu peito uma afeição crescente, uma vontade louca de estar sempre ao seu lado e de me perder, de uma vez por todas, no oceano sem fim do desejo.

Não consigo colocar em palavras tudo aquilo que sinto,
mas o pouco que consigo pôr no papel me traz tanto alívio.

A sua ausência me corrói,
destrói, me tira o chão,
me faz em pedaços…
E a sua presença me faz existir,
resistir.

E tento, mais uma vez, compor um outro final feliz
para uma história ainda sem título,
para mais um romance de folhetim.



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