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Pedestal

Forjada no olhar, do querer impaciente: estátua de mármore, fria, dura, gente. Moldada pra durar, pra caber no sonho, no desejo de alguém. Sem nome, sem lugar, apenas serva das vontades. Um riacho sereno, flores ao redor de tanta incompreensão, do férreo escrutínio alheio. E o tempo, imperioso, faz da matéria inerte corpo consciente, e da água contida, vida sem corrente. Não há mais represas ou moldes, altares, pedestais ou roteiros. Só o mover-se, contínuo, livre, sem medo.

Petrichor

Cheiro de terra molhada,

de café bem quentinho,

de uma vida bem vivida,

de ternos e tenros amores.


Paixões que não se explicam,

como flores que apenas desabrocham,

secretamente,

no bosque dos afetos inconfessos.


E caminho descalço,

sem nenhuma pressa,

de volta ao meu lar,

sabendo

que vicejante é o desejo

que nos conduz

até a serena idade.




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