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Constatação

Eis-me aqui de novo, com meus versos de botequim, com minha arte chinfrim, fazendo uma rima assim: ruim. Não sou boêmio. Sou abstêmio. Talvez, se eu bebesse um pouco, ou muito, conseguiria viver sem Poesia. Não sei, só sei que sempre fui assim: perdido e ensimesmado. Canto porque canto, e bota desafinação nisso! Ué, todos já foram embora? Por que estão apagando a luz? Meu nome não é José, nem Raimundo, e não carrego em minhas mãos o sentimento do mundo. Sou o que fiz de mim mesmo, e isso não é humildade, muito menos autoelogio, ou depreciação.

O Fim

Não quero cantar o fim da poesia.

Meu coração nômade tudo destrói;
é como uma segunda natureza,
algo imprudente e descontrolado.

Estou cheio de verdades nunca ditas,
de fiascos iminentes.

Há medo e pedras afiadas sob meus pés;
cada passo é mais um passo rumo a um lugar sem nome.

Toda respiração é uma breve subida à superfície sem fim de tudo.




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