Entre poemas e cafés
Alguns poemas não amadurecem no papel:
resistem.
Alguns cafés só se tornam o que são
por escolha.
Entre uma xícara e outra,
entre o rascunho e a versão definitiva,
algo repousa, decanta,
perde corpo, ganha aroma
— fruto do tempo acumulado,
do lento devaneio
e de escassas garantias.
Um grão agridoce torrado e moído,
um verso limado e medido,
uma vida coada e revista.
O manuscrito incompleto,
o café já frio
e algo que não se explica.

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