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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Convalescença

Voltei a respirar,
a sentir perfumes
e sabores.

E tateio mais uma vez
a superfície empoeirada
de objetos cansados.

Percorro o caminho,
conhecido e pisado,
que antes me trilhou.

O ar continua respirável;
os sentidos, em dia;
o corpo, quase recuperado.

Alguma coisa mudou,
mas não sei ao certo o que foi.
Talvez algum mistério tenha sido revelado,
e eu não tenha percebido.
Ou tudo continua igual,
e eu, diferente,
mesmo sentindo
que sou
quem longamente
já fui.




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