Teimosia
Resisti por resistir, por vontade de viver um pouco mais e apenas isso. Não houve epifania, entrega, súplica ou qualquer tipo de consolo. Silêncio e medo, como companheiras, e a teimosia, claudicante, única.
Forjada no olhar,
do querer impaciente:
estátua de mármore,
fria, dura, gente.
Moldada pra durar,
pra caber no sonho,
no desejo de alguém.
Sem nome, sem lugar,
apenas serva
das vontades.
Um riacho sereno,
flores ao redor
de tanta incompreensão,
do férreo escrutínio alheio.
E o tempo, imperioso,
faz da matéria inerte
corpo consciente,
e da água contida,
vida sem corrente.
Não há mais represas ou moldes,
altares, pedestais ou roteiros.
Só o mover-se,
contínuo, livre,
presente.
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