Pedestal


Forjada no olhar,
do querer impaciente:
estátua de mármore,
fria, dura, gente.

Moldada pra durar,
pra caber no sonho,
no desejo de alguém.
Sem nome, sem lugar,
apenas serva
das vontades.

Um riacho sereno,
flores ao redor
de tanta incompreensão,
do férreo escrutínio alheio.

E o tempo, imperioso,
faz da matéria inerte
corpo consciente,
e da água contida,
vida sem corrente.

Não há mais represas ou moldes,
altares, pedestais ou roteiros.
Só o mover-se,
contínuo, livre,
presente.

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