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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Gratidão

Nada termina.
Tudo recomeça.

Aprendi isso no corpo:
não sentirei saudades das dores,
dos enjoos que me tomavam de surpresa,
das injeções que acordavam o medo,
do cansaço que me deixava mudo,
das noites em que o diagnóstico pesava demais,
das incertezas que vinham sentar-se comigo.

Mas me lembrarei, sempre,
de quem estendeu a mão,
das palavras que chegaram no momento exato,
das enfermeiras
e de outros profissionais da saúde
que me trataram com tanto cuidado,
dos amigos que sentiram minha queda à distância
e ainda assim me enviaram força,
do amor atento da família,
da luz que insistiu em ficar.

Aos 45 do primeiro tempo,
achei que eu já tinha perdido o fôlego.
Pensei que fosse o fim do jogo.
Mas não era:
a vida me chamou de volta para o campo,
e eu entrei — cansado, sim,
mas inteiro de novo.

Obrigado a todos pelas mensagens,
pelas orações,
e pelo carinho que me segurou
quando eu quase desabei.




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