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Pedestal

Forjada no olhar, do querer impaciente: estátua de mármore, fria, dura, gente. Moldada pra durar, pra caber no sonho, no desejo de alguém. Sem nome, sem lugar, apenas serva das vontades. Um riacho sereno, flores ao redor de tanta incompreensão, do férreo escrutínio alheio. E o tempo, imperioso, faz da matéria inerte corpo consciente, e da água contida, vida sem corrente. Não há mais represas ou moldes, altares, pedestais ou roteiros. Só o mover-se, contínuo, livre, sem medo.

Implicação

Lasciva, ardente, libidinosa...
És tu uma vadia toda prosa,
que me faz viver no desatino,
sem rumo e sem destino.

Tu és a febre do meu corpo,
a lepra da minha alma,
o objeto do meu desejo
e também do meu repúdio.

Mulher, por que me olhas?
O que queres de mim?
Eu sei pelo que anseias:
todo o meu ser dentro de ti.

O teu apetite voraz te impele;
queres me consumir por inteiro,
sugar todo o meu cálice,
até a última gota do meu sangue.

Vem comigo, não percamos tempo,
resguardemo-nos da cretinice crônica
que assola esta decadente sociedade
tão racional, ordeira e sem coração.

Vem, vamos chafurdar na lama
dos nossos instintos naturais;
vamos fazer aflorar nesta cama
a sequela de tantas regras morais.


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