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Pedestal

Forjada no olhar, do querer impaciente: estátua de mármore, fria, dura, gente. Moldada pra durar, pra caber no sonho, no desejo de alguém. Sem nome, sem lugar, apenas serva das vontades. Um riacho sereno, flores ao redor de tanta incompreensão, do férreo escrutínio alheio. E o tempo, imperioso, faz da matéria inerte corpo consciente, e da água contida, vida sem corrente. Não há mais represas ou moldes, altares, pedestais ou roteiros. Só o mover-se, contínuo, livre, sem medo.

Mar de Incertezas

Debacle, fiasco, revés…
Tentativas inócuas de clarificação
Embaciado destino que nos acomete
Experimentos, cálculos e teorias
Terraplenagem, construções, obeliscos
Válvulas, chips, desperdícios
Vida assaz racionalizada
Na esquina, à espreita,
o pêndulo da dúvida.


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