Teimosia
Resisti por resistir, por vontade de viver um pouco mais e apenas isso. Não houve epifania, entrega, súplica ou qualquer tipo de consolo. Silêncio e medo, como companheiras, e a teimosia, claudicante, única.
Ei-la, exsudando feminilidade,
bem à minha frente.
Outra vez, não me faço de rogado;
ébrio de prazer, levo-a ao delírio.
Não procuro extrair da vida algum sentido,
muito menos perco tempo com homens-sepultura;
contento-me com o fugidio momento,
com o etílico prazer de uma noite em boa companhia.
Não tenho mais idade para me aborrecer à toa.
Não quero estar com quem não ousa.
Cala-te! Beija-me!
A ilusão nos persegue por todos os lugares;
no alvor da manhã, rasgamos o véu da loucura.

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