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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Sanidade

Ei-la, exsudando feminilidade,

bem à minha frente.

Outra vez não me faço de rogado;

ébrio de prazer, levo-a ao delírio.


Não procuro extrair da vida algum sentido,

muito menos perco tempo com homens-sepultura;

contento-me com o fugidio momento,

com o etílico prazer de uma noite em boa companhia.


Não tenho mais idade para me aborrecer à toa.

Não quero estar com quem não ousa.

Cala-te! Beija-me!

A ilusão nos persegue por todos os lugares;

no alvor da manhã, rasgamos o véu da loucura.




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