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O Pomo de Ouro

Páris devia dar o seu palpite, e acabar com a contenda celestial: “Seria Hera, Atena ou Afrodite, qual teria uma beleza sem igual?” Cada deusa fez a Páris uma oferta: Hera lhe daria império e glória; Atena, a mais alta sabedoria; Afrodite, o amor da mais bela mortal. Aos encantos do poder, Páris resistiu, como também aos do conhecimento, mas o amor era um convite especial. Afrodite ganhou o pomo dourado. Por Helena, Páris foi muito amado. Porém, eu não contarei aqui o final.

Pathos

(poema de Samuel Rocha)

Borboletas no estômago – sussurram os enamorados –
Nunca senti!
Não a paixão, essa indubitável alcunha humana, mas as borboletas.

Sempre pareceu-me mais um aperto no peito,
pela angústia tomado,
pela alma, sempre pueril, inebriado,
temido pelo coração cansado.

Que, bem agora, tivesse pernas, estariam bambas;
tivesse olhos, estariam suspeitos;
tivesse razão, estaria longe,
longe do perigo dessa roseira sem rosas.
O algoz é inexorável.

Nada daria errado, tinha certeza.
Eu estava errado.

Experiência que de nada serve.
Como se defender do ataque inesperado?

Felizes os que não se apaixonam.
Para amar, sou inadequado.



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