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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Pathos

(Poema de Samuel Rocha)

Borboletas no estômago – sussurram os enamorados –
Nunca senti!
Não a paixão, essa indubitável alcunha humana, as borboletas.

Sempre pareceu-me mais com um aperto no peito
Pela angústia tomado
Pela alma, sempre pueril, inebriado
Temido pelo coração cansado. Que, bem agora, tivesse pernas, estariam bambas
Tivesse olhos, estariam suspeitos
Tivesse razão, estaria longe
Longe do perigo dessa roseira sem rosas
O algoz é inexorável.

Nada daria errado, tinha certeza!
Eu estava errado.

Experiência que de nada serve!
Como se defender do ataque inesperado?

Felizes os que não se apaixonam!
Para amar, sou inadequado.


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