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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

A Possuída

Devassamente me entrego ao homem que tanto cobicei
Submeto minhas curvas a todos os seus caprichos,
Vassala do meu próprio tesão

Perdida nessa cama vazia
Entre lençóis úmidos, sujos
Com forte cheiro de suor e desejo insaciável
Planejo o próximo gozo

Não me venha com esse olhar reprovador!
Conheço bem o seu puritanismo

Não me prendo a ninguém, furtiva que sou
Quero arder apenas, arder com intensidade.


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