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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Selvagem até o âmago

Uma delicadeza transgressora
Uma carícia displicente
A Flama, a Lama, o Medo
Solo agreste da Alma

Muitas vezes a poesia não flui,
e as musas se calam:
insipidez e escuridão

Sofrimento, cinzas, mais sofrimento
Palavras em um dialeto estranho
Flores murchas no canto da sala
Imagens, sons, cheiros – inquietude

sonhos dispersos e papéis avulsos



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