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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Coração fecundo

Ser uma pessoa introvertida
é viver dentro do próprio mundo,
como num rio denso e profundo
a desaguar na foz da vida.

É ter um coração fecundo:
uma emoção sempre contida,
uma vontade reprimida,
um sonho a cada segundo.

É não querer popularidade;
preferir mais ficar sozinho,
vivendo em tranquilidade.

É buscar no céu um caminho,
se perdendo na imensidade,
livre como um passarinho.



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