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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Passagem

No frio deste inverno,
não consigo derreter
o gelo que se formou
dentro do meu peito
desde o amanhecer.
***
A noite cai depressa;
sinto o meu corpo frio.
– Haverá esperança,
ou alguma alegria,
após a curva deste rio?
***
Somente três certezas
tenho neste instante:
- o amor é um pavio;
- a vida só passagem;
- e eu um inconstante.
***
Sinto a frialdade
de uma leve brisa.
Em meio à névoa,
vejo ao longe
uma nova divisa.


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