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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Identidade

Poeta, filósofo, astronauta,
um artista no palco da vida;
eu sou uma nota fora da pauta,
e de Deus a imagem distorcida.

Sou alguém que tem tudo e tudo falta;
um profeta na cidade vendida.
Sou um forte guerreiro que exalta
a dor a cada nova ferida.

De tanto buscar nem sei mais quem sou;
o destino depressa se desfaz,
mal chega a fortuna vem a desdita:

Esta vida é mesmo louca e bendita!
Ser ou não ser – agora tanto faz...
       Eis-me aqui, Vida, desfrutar-te eu vou!




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