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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Fobofobia (Medo de se ter medo)

Aos fobofóbicos de plantão:
Ousai! Não vos encarcereis!
Que o vosso amor a este pérfido sentimento
seja desarraigado e transmutado.
Devei temer, sim, mas não desta forma,
senão começareis a ter alucinações realísticas,
ou, porque não?, consumísticas,
que lentamente encobrirão,
como uma chuva de cinzas,
a vossa existência.


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