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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Rósea Flor

Rósea flor dos meus sonhos pueris,
imagem incrustada no meu peito,
oh, doce afã em que me deleito
nestas noites tão ardentes e febris!

Tu vens insidiosa ao meu leito;
vorazmente me beijas e sorris,
e, como uma adorável meretriz,
subjuga-me sem o menor respeito.

E, assim, me abandono à tua vontade,
inconsequentemente, loucamente,
desrespeitando toda e qualquer moral.

Não sou mais apenas uma metade;
estás diuturnamente em minha mente,
inebriando-me com um eflúvio divinal.


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