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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Devaneando

Devaneando vou,
pisando descalço
o vidro cortante
em que me desfaço.
***
Degredado vivo,
num país distante,
sem amigos, amor,
sorte ou amante.
***
Procuro encontrar
a felicidade;
e no amor mútuo,
a cumplicidade.



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