Resisti por resistir, por vontade de viver um pouco mais e apenas isso. Não houve epifania, entrega, súplica ou qualquer tipo de consolo. Silêncio e medo, como companheiras, e a teimosia, claudicante, única.
Nós possuímos uma clara tendência à criação de padrões. Estabelecemos, em tudo, relações de causa e efeito e criamos — pelo menos em nossas cabeças — uma sistematização daquilo que nos parece caótico. Não me refiro aqui à existência ou não de padrões na natureza, nem ao modo mais adequado de percebê-los; atenho-me principalmente ao fato de que somos seres moldados evolucionariamente para a busca de sentido.
Arquitetamos narrativas sobre a criação do mundo. Inventamos histórias que justifiquem nossos sofrimentos. Buscamos respostas até para os mínimos eventos do cotidiano. Entrelaçamos todas as coisas em um arcabouço teórico ordenado, lógico, verossímil — e, ainda assim, possivelmente falso.
A problemática está na dificuldade de nos desapegarmos de nossas próprias certezas. O homem, de fato, sempre será “a medida de todas as coisas”: não há como fugir das limitações impostas pelos sentidos e, sobretudo, por nossa limitada capacidade cognitiva.
Resta-nos, se tivermos coragem, “ousar saber” — mesmo que esse saber contrarie nossas crenças mais profundas, mesmo que o quadro revelado seja desolador. Crescer apesar da dor ou resignar-se às respostas já obtidas: eis a questão.
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