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Pedestal

Forjada no olhar, do querer impaciente: estátua de mármore, fria, dura, gente. Moldada pra durar, pra caber no sonho, no desejo de alguém. Sem nome, sem lugar, apenas serva das vontades. Um riacho sereno, flores ao redor de tanta incompreensão, do férreo escrutínio alheio. E o tempo, imperioso, faz da matéria inerte corpo consciente, e da água contida, vida sem corrente. Não há mais represas ou moldes, altares, pedestais ou roteiros. Só o mover-se, contínuo, livre, sem medo.

Homo Sapiens

Estamos irremediavelmente sozinhos,
abandonados à própria sorte,
e não há nada nem ninguém que possa
mudar tal realidade.

Caminhamos sem rumo, em busca de algum significado;
qualquer coisa serve, desde que nos ajude a sair do pântano caótico em que nos achamos mergulhados.

Somos bestas-feras caminhando num mundo besta-fera,
somos animais sobrevivendo ao pior dos predadores:
o Tempo.



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