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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

No Jardim de Vênus

Linda, linda moça,
ouça o seu coração!
Saiba que não há amanhã,
não há caminho de volta.
Aqui, uma conversa moderna:
você é minha alma,
você é meu tudo,
e por isso eu vivo em chamas,
sem fôlego,
sonhando,
desejando.
Estou em queda livre,
mas você
não vê!
Perco-me constantemente,
mas você não me encontra.
O amor é um oceano,
e eu, um barco à deriva.
– Então, quer bailar comigo?!



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