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Ígnea

Ígnea, era o seu nome. Nunca soube o porquê disso: não havia nela excesso, nem voz elevada, nem gestos. Cresceu no silêncio. Falava pouco, não por desdém, mas por cuidado. Diziam que era fria, quando, na verdade, era apenas alguém que se resguardava. Por fora, tudo era contido, ordenado, quase imóvel. Seu nome lhe parecia um erro, um equívoco sem graça, desses que ninguém mais corrige porque já passou tempo demais. Mas havia noites, raras, quase imperceptíveis, em que algo nela se movia. Um pensamento insistente, uma lembrança fugidia, um desejo sem forma. Nada que virasse incêndio. Apenas um brilho curto, íntimo, suficiente para lembrar que até a matéria mais quieta guarda, em segredo, o seu fogo.

No Jardim de Vênus

Linda, linda moça,
ouça o seu coração!
Saiba que não há amanhã,
não há caminho de volta.
Aqui, uma conversa moderna:
você é minha alma,
você é meu tudo,
e por isso eu vivo em chamas,
sem fôlego,
sonhando,
desejando.
Estou em queda livre,
mas você
não vê!
Perco-me constantemente,
mas você não me encontra.
O amor é um oceano,
e eu, um barco à deriva.
– Então, quer bailar comigo?!



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