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Pedestal

Forjada no olhar, do querer impaciente: estátua de mármore, fria, dura, gente. Moldada pra durar, pra caber no sonho, no desejo de alguém. Sem nome, sem lugar, apenas serva das vontades. Um riacho sereno, flores ao redor de tanta incompreensão, do férreo escrutínio alheio. E o tempo, imperioso, faz da matéria inerte corpo consciente, e da água contida, vida sem corrente. Não há mais represas ou moldes, altares, pedestais ou roteiros. Só o mover-se, contínuo, livre, sem medo.

Os pequenos sufocamentos do dia a dia

Taça de cristal despedaçada,
flores murchas,
móveis empoeirados,
enfim, imagens do que restou.

Eu mal consigo sentir qualquer gosto ou odor,
e o ar ao meu redor parece rarefeito e indiferente;
ah, os pequenos sufocamentos do dia a dia.

Tento outra vez atravessar uma parede de ressentimentos e falta de amor.

Espero um pouco mais,
olho para todos os lados,
e sinto a brisa suave da manhã em meu rosto,
o cheiro da primavera em flor.

O futuro não se mostra excitante,
e o passado ruge como uma fugidia e capciosa lembrança.
Tento não pensar em nada
– sei que sou poeira ao vento –,
quero apenas fincar os meus pés no possível, no palpável.




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