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Pedestal

Forjada no olhar, do querer impaciente: estátua de mármore, fria, dura, gente. Moldada pra durar, pra caber no sonho, no desejo de alguém. Sem nome, sem lugar, apenas serva das vontades. Um riacho sereno, flores ao redor de tanta incompreensão, do férreo escrutínio alheio. E o tempo, imperioso, faz da matéria inerte corpo consciente, e da água contida, vida sem corrente. Não há mais represas ou moldes, altares, pedestais ou roteiros. Só o mover-se, contínuo, livre, sem medo.

Saudade

Não há mais o que dizer, fazer;
dor, saudade e luto se misturam
com a perplexidade deste momento.
Mês de maio, frio, chuva, silêncio…
Ainda ontem você estava aqui,
simples e amável,
me ensinando as coisas da vida.
Ainda ontem você me embalava
com canções de carinho e aconchego.
Hoje meus olhos estão embaçados,
meus dedos, trêmulos,
minha vida, triste.

O vento da estação sopra mais uma vez,
e tudo parece tão igual – quase normal –,
as mesmas pessoas, as mesmas ruas,
e as mesmas conversas.
Tudo tão igual...




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