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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

O inverno chegou!

O inverno chegou,

mas não como prenúncio de morte,

e sim como introspectivo consorte,

taciturno companheiro de clausura.

Eis um tempo de reflexão,

onde o frio nos pega pela mão

e nos leva rumo ao abismo do que somos.

Sim, o inverno chegou,

e aqui chegamos nós também,

cegos diante de tanta luz,

tentando achar alguma resposta,

alguma saída.

E, na transitoriedade de todas as coisas,

para aqueles que não fogem da estação,

o que fica mesmo é um profundo respeito pela vida.




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