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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Um pouco mais de poesia

A vida pode ser mais do que isso
— mais do que dores e cansaço,
mais do que política e descaso.
Há de haver um compromisso,
uma vontade de fazer diferente,
de não ser como toda essa gente
que só faz o que é preciso.
Está mais do que na hora
de vivenciar a poesia
— esta linda ave canora —
à luz de um novo dia,
longe da atual apatia.

E, para além das palavras:
um aroma doce e suave,
uma canção sempiterna
e um desejo de encontro.




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