Teimosia
Resisti por resistir, por vontade de viver um pouco mais e apenas isso. Não houve epifania, entrega, súplica ou qualquer tipo de consolo. Silêncio e medo, como companheiras, e a teimosia, claudicante, única.
Esqueço as palavras
e quase perco os sentidos.
Não sei mais o que faço,
só sei que vivo nas entrelinhas,
perdido, fora de compasso.
Trago comigo, simplesmente,
esperanças de nanossegundos,
náufragos devaneios de éons
e o absurdo divino do presente instante.
Quero ver através de olhos alheios,
quero me perder na infinitude de coisas que desconheço
e, mais uma vez, sentir o chão sob meus pés.
Não há nada a ser dito, lido ou proclamado,
nenhuma canção, ruído ou som,
apenas o silêncio etéreo de bombas que nunca explodirão.
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