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Constatação

Eis-me aqui de novo, com meus versos de botequim, com minha arte chinfrim, fazendo uma rima assim: ruim. Não sou boêmio. Sou abstêmio. Talvez, se eu bebesse um pouco, ou muito, conseguiria viver sem Poesia. Não sei, só sei que sempre fui assim: perdido e ensimesmado. Canto porque canto, e bota desafinação nisso! Ué, todos já foram embora? Por que estão apagando a luz? Meu nome não é José, nem Raimundo, e não carrego em minhas mãos o sentimento do mundo. Sou o que fiz de mim mesmo, e isso não é humildade, muito menos autoelogio, ou depreciação.

Floreio

Floresce o dia
nos jardins da insensatez;
espinhoso é o caminho
que conduz à sanidade.
Loucura e sonho
tecem enredos desconexos;
bifurcações
me levam para todos os lados.
Sorvo uma taça de otimismo
que me amarga a boca;
vendo sonhos,
à vista
e a prazo.
Tento recuperar o fôlego,
corrigir erros passados.
Quero, de uma vez por todas,
silenciar o caos.
Quero gritar,
a plenos pulmões,
o silêncio.




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