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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

O Som do Coração

Eu sou a Letra, você é a Melodia.
A nossa história é uma música
que não consta dos grandes hits;
a única maneira de sintonizá-la
é através das ondas do coração.
***
O nosso amor está guardado eternamente
no silêncio das palavras que nunca foram ditas,
na reciprocidade de toda uma vida
e na certeza de que nunca estaremos sós,
pois sempre teremos um ao outro.
***


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