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Teimosia

Resisti por resistir, por vontade de viver um pouco mais e apenas isso. Não houve epifania, entrega, súplica ou qualquer tipo de consolo. Silêncio e medo, como companheiras, e a teimosia, claudicante, única.

Os lírios do campo já murcharam...

Tropeço na noção de tempo
e me esparramo na relva molhada;
contemplo nuvens de glórias passageiras
até mergulhar num céu azul-piscina.
Volto aos tempos de criança.
Há uma toca de coelho no meu jardim;
faço-me de explorador e, audacioso,
encontro Beatriz e Virgílio pelo caminho.
Hipopótamo, anos, séculos, eras…
Tudo retorna para o mesmo ponto,
para a mesma singularidade.
A vertigem finalmente passa,
descerro os olhos:
nuvens, céu azul, infinito.


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