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Pedestal

Forjada no olhar, do querer impaciente: estátua de mármore, fria, dura, gente. Moldada pra durar, pra caber no sonho, no desejo de alguém. Sem nome, sem lugar, apenas serva das vontades. Um riacho sereno, flores ao redor de tanta incompreensão, do férreo escrutínio alheio. E o tempo, imperioso, faz da matéria inerte corpo consciente, e da água contida, vida sem corrente. Não há mais represas ou moldes, altares, pedestais ou roteiros. Só o mover-se, contínuo, livre, sem medo.

Confissões de um homem blasé

Tenho medo de me perder:
tudo tem que ser controlado,
regrado, sistematizado,
elevado à enésima potência.
– Mas não há potência alguma!
Só mesmo uma vontade de não me afetar nunca,
de não demonstrar coisa alguma,
de ser, aos olhos dos outros, perfeito.
Estou à deriva, criando defesas,
flanando pelo mundo sem me sentir parte de algo.
Tudo vazio, incompleto, desconcertante...
Reflexo de mim mesmo,
um simulacro, uma cópia barata;
ser serviente, tentando ressignificar o nada.



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