Confissões de um homem blasé

Tenho medo de me perder:
tudo tem que ser controlado,
regrado, sistematizado,
elevado à enésima potência.
– Mas não há potência alguma!
Só mesmo uma vontade de não me afetar nunca,
de não demonstrar coisa alguma,
de ser, aos olhos dos outros, perfeito.
Estou à deriva, criando defesas,
flanando pelo mundo sem me sentir parte de algo.
Tudo vazio, incompleto, desconcertante...
Reflexo de mim mesmo,
um simulacro, uma cópia barata;
ser serviente, tentando ressignificar o nada.



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