Teimosia
Resisti por resistir, por vontade de viver um pouco mais e apenas isso. Não houve epifania, entrega, súplica ou qualquer tipo de consolo. Silêncio e medo, como companheiras, e a teimosia, claudicante, única.
Eu sinto que não sinto mais nada, mas sei que isso é falso; há uma angústia, um desespero, um não sei quê que ronda silenciosamente, que vasculha, que oprime. Finjo, portanto, que está tudo bem. A vida é isso mesmo: caminho sem volta, algo insípido, doloroso, prolongado. Não há pessoas que eu gostaria de voltar a ver, e as que vejo não me animam muito. Falta alguma coisa — inteligência, talvez —, mas não é só isso; falta afeto, falta empatia, falta um olhar que não seja ensimesmado, absorto ou perdido em divagações sobre aquilo que o mundo supostamente nos deve.
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