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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Mundo invertido

Você veio para subverter a minha vida,
para me fazer perder o chão,
o contato com a realidade.
Você apareceu de repente,
e o meu viver se transformou,
o certo agora é incerto,
o medo é coragem,
a noite é dia,
e a vida toma sempre novas tonalidades.
Você surgiu não sei de onde,
fazendo-me enlouquecer,
vida, caos, sonho e devaneio,
tudo isso eu encontro somente em você.




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