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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Filme sem enredo

O espelho reflete o baço filme de minha vida:
sem enredo, com personagens aleatórios,
que não se presta à comédia, ao drama ou à tragédia…
Enfim, uma história mal contada,
vivida aos trancos e barrancos,
mas com uma vontade, não sei se possível,
de fazer algo diferente, ousado, nunca antes tentado,
ou de não fazer nada, simplesmente.
São muitos frames por segundo,
muito o que se fazer em tão pouco tempo;
acho que entrei na sala de projeção depois do início do filme,
e provavelmente sairei antes de seu término.
O quê?! Final feliz?
Bem, só posso dizer uma coisa:
– Haverá, decerto, um final, mas não teremos cenas pós-créditos.


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